Como começou a simulação clínica?
História da Simulação: Uma jornada de inovação e avanços na educação em saúde
A simulação clínica em saúde é uma metodologia educacional que utiliza técnicas e equipamentos específicos para replicar situações clínicas reais, permitindo que estudantes e profissionais da área pratiquem e desenvolvam habilidades essenciais em um ambiente controlado e seguro. A história dessa prática é rica e cheia de inovações que moldaram o treinamento em saúde como o conhecemos hoje.
Os Primórdios da Simulação em Saúde
A simulação em saúde tem suas raízes nos primórdios da civilização, com achados arqueológicos que incluem pelves e bonecos feitos de barro, utilizados para fins educacionais. Esses primeiros modelos permitiam que os estudantes/aprendizes praticassem procedimentos básicos, como partos, de forma prática e visual.
Desde o século III a. C., há registros que na Índia melões eram usados para treinar o aprendizado de incisões cirúrgicas e bonecas de linho também eram utilizadas para treinar a realização de curativos. Por volta século XVII foram criadas pelves femininas inicialmente de barro para treinamento de profissionais que auxiliavam partos. Na Paris do século XVIII foi desenvolvido por Sr Grégoire e filho um manequim feito a partir de uma pelve humana e um feto morto com o objetivo de treinar técnicas de parto em obstetras promovendo redução das taxas de mortalidade materna e infantil.
A Era Moderna da Simulação: Influência da Aviação
A era moderna da simulação foi profundamente influenciada pela aviação. Edwin Link, um aviador, criou em 1927 o Link Trainer, um simulador de voo que revolucionou o treinamento de pilotos. O sucesso dessa tecnologia na aviação inspirou a adaptação de técnicas de simulação para a área da saúde, permitindo que os profissionais médicos praticassem procedimentos complexos sem riscos para os pacientes.
Inovações na Década de 1960: Laerdal e SIM One
Foi na década de 60 que Asmund Leardal (dono de uma fábrica de brinquedos na Noruega) foi solicitado por Peter Safar (médico austríaco) a criar um manequim para treinar a sua equipe em uma nova técnica de ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Assim nasceu a hoje muito conhecida Resusci Anne.
Asmund Laerdal e Peter Safar fizeram história com a criação da empresa Laerdal e o desenvolvimento de manequins para treinamento em reanimação cardiopulmonar (RCP). O manequim Resusci Anne se tornou um marco no treinamento de primeiros socorros, salvando inúmeras vidas ao longo das décadas.
Paralelamente, Denson e Abrahamson criaram o SIM One, um dos primeiros simuladores médicos sofisticados. Esse dispositivo continha mecanismos de sinais vitais controláveis proporcionando um treinamento abrangente e detalhado para os profissionais de saúde.
Expansão da simulação no Brasil
A simulação moderna no Brasil iniciou com o trabalho do Dr. John Cook Lane. Nascido no Brasil porém filho de pais de origem norte-americana e irlandesa estudou na EPM ( Escola Paulista de medicina ) e fez residência nos Estados unidos da América onde iniciou a paixão pela reanimação cardiorrespiratória.
Dr. Lane foi o primeiro a trazer os cursos de ACLS/SAVC (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia) e o PALS (Suporte Avançado de Vida em Pediatria) ao Brasil nos anos de 1984 e 1985 sendo os cursos realizados nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Sua contribuição ajudou a elevar o padrão de cuidados de emergência no país.
Mas foi só no ano de 1996 que o Hospital Albert Einstein em São Paulo iniciou a capacitação de seus profissionais para serem provedores do programa e posteriormente inaugurou o primeiro centro de simulação realística do Brasil. Esse centro se tornou uma referência na América Latina, oferecendo treinamento de alta qualidade para médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.
Simulação Realística no Ensino em Saúde
Nos últimos 30 anos foram diversas as mudanças das metodologias de ensino com a introdução e aprimoramento das metodologias ativas de ensino. A introdução da simulação realística no ensino em saúde revolucionou a formação médica. Estudantes de medicina, enfermagem e outras áreas da saúde agora podem treinar procedimentos e tomar decisões críticas em um ambiente seguro e controlado, monitorado por um tutor/professor. Isso não só melhora suas habilidades técnicas, mas também aumenta sua confiança e prepara-os melhor para situações reais.
Centros de Simulação Clínica no Brasil
Hoje, o Brasil conta com inúmeros centros de simulação clínica espalhados por todo o país a maioria localizados em universidades. No momento já temos 4 desses centros já creditados pela AHA (American heart association) sendo um deles localizado na Afya Faculdade de ciências médicas de Palmas - TO. Esses centros oferecem uma ampla gama de programas de treinamento, desde simulações básicas até simulações de alta fidelidade com tecnologia avançada. A presença desses centros tem contribuído significativamente para a melhoria da qualidade do atendimento de saúde no Brasil.
Um importante capítulo da simulação clínica no Brasil foi a criação no ano de 2010 da ABRASSIM hoje conhecida como SOBRASSIM (Sociedade Brasileira de Simulação na Saúde) com o objetivo de unir, capacitar e trocar experiências entre os profissionais que trabalham com simulação para o ensino em saúde.
A história da simulação realística é uma história de inovação contínua e compromisso com a excelência na educação em saúde. Desde os primeiros modelos de barro até os avançados simuladores de hoje, a simulação tem sido uma ferramenta importante para preparar os profissionais de saúde para os desafios do mundo real.
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